quarta-feira, 2 de março de 2016

Unidos da Tijuca retrata a força do homem do campo

Ricardo Victor Ferreira     14:13    

O samba-enredo da Unidos da Tijuca trouxe como tema a exaltação à agricultura e à ligação entre o homem com a terra. 

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Sob o comando da comissão de Carnaval formada por Mauro Quintaes, Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo, a Unidos da Tijuca se saiu muito bem com seu novo estilo, e encerrou a primeira noite do Grupo Especial como um dos grandes destaques, mantendo o público nas arquibancadas até o fim do desfile.

Além de fantasias e alegorias luxuosas e muito coloridas, a escola apostou na bateria comandada por mestre Casagrande, no entrosamento do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Julinho e Rute, e na beleza do samba-enredo, tido como um dos melhores do ano. "Vai ser 40 em todos os quesitos", torceu Rute. "Só não é justo ter que desviar de óleo e água na pista deixados por uma coirmã", comentou. "Fiquei um pouco preocupado, porque faço muitos giros, a gente teve que sair um pouco do centro. Mas a gente estava tão abençoado que conseguiu fazer", disse Julinho. Com 30 anos de avenida, o casal veio fantasiado como os orixás Oxalá e Nanã.

A atriz Juliana Alves, rainha de bateria da Tijuca, veio fantasiada de Vespa Rainha. "É o setor que fala da agricultura e todos os elementos que a influenciam, tanto positiva quanto negativamente. A gente fala das pragas, da tecnologia e daqueles que são amigos da agricultura, que ajudam na polinização e na fertilização. A Vespa Rainha é amiga dos agricultores, dos matutos, que são os nossos ritmistas". Já na dispersão, ela comentou: "Para mim, o desfile foi maravilhoso, estou explodindo de alegria".

A rainha disse ainda que veste, neste ano, sua fantasia mais ousada. "Para minha concepção, estou bastante ousada. Todo mundo sabe que eu não sou muito de mostrar o bumbum, né? Mas é um personagem que a gente achou que permitia e exigia um pouco mais de ousadia".

A comissão de frente encenou o cultivo da terra, com uma alegoria que descia e revelava os brotos de uma planta de girassol, que florescia na avenida.

O início do desfile trouxe também a lenda iorubá da criação do homem através do barro, no carro abre-alas, mostrando a ligação primordial entre o homem e o solo. No segundo setor, a Tijuca saudou a exuberância da natureza brasileira em sua fauna e flora com um imenso carro alegórico, onde integrantes coreografados imitavam animais típicos do Brasil em meio a cascatas.

A sequência do desfile fez uma homenagem à agricultura familiar, trazendo a figura do matuto. Imagens do cotidiano da roça se fizeram presente, como o cafezinho do fim da tarde, os lampiões e o desabrochar das flores.

O uso da tecnologia no campo foi exaltado, principalmente na erradicação das pragas, com fazendeiros lutando contra lagartas gigantes no quarto carro.

Em referência direta à cidade de Sorriso, a Tijuca trouxe a atividade de beneficiamento do milho. Em uma alegoria que simbolizava um imenso silo, os grãos entravam fracos e saíam fortalecidos, de uma forma muito bem-humorada.

A escola encerrou o seu desfile fazendo uma grande festa para comemorar a colheita alcançada. Traços da cultura campesina, como a Festa do Divino, as danças e procissões estiveram presentes no último carro da Tijuca.

Portal UOL

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